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Flávio perde prazo, entrega autorização de madrugada e faz nova exigência para abrir sigilos

há 54 minutos
3 min de leitura

Após sucessivas condições aceitas por Lula, candidato do PL atrasa entrega de documentos; decisão de André Mendonça afasta intermediação do TSE na obtenção dos dados


Advogada de Flávio dando um "migué" na imprensa/Foto: reprodução
Advogada de Flávio dando um "migué" na imprensa/Foto: reprodução


O desafio para a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegou à sexta-feira (23) sem que os dados dos candidatos fossem divulgados. Depois de uma sequência de exigências e contrapropostas, Flávio perdeu o prazo estabelecido no acordo firmado entre as campanhas e encaminhou sua documentação apenas na madrugada.


O limite era 23h59 de quinta-feira (22). A campanha do candidato do PL apresentou as autorizações depois do horário combinado e voltou a cobrar informações sobre os cartões corporativos da Presidência da República, assunto que não integrava o acordo.

O atraso acrescenta mais um episódio à negociação iniciada no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio, durante o debate da Band, a abrir os sigilos dos dois candidatos e de seus familiares.


Flávio respondeu com condições adicionais, incluindo informações sobre o Instituto Lula, assessores e despesas da primeira-dama Janja. A campanha petista aceitou as exigências, mas o candidato do PL ampliou a lista, acrescentando familiares, empresas e informações sobre eventuais contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro.


Na quinta-feira, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante de Flávio, afirmou que a divulgação dos dados do candidato dependeria de uma análise prévia dos documentos apresentados por Lula. Não foi estabelecido prazo para essa conferência.


Mendonça afasta intermediação do TSE

O acordo entre as campanhas previa que o Tribunal Superior Eleitoral requisitasse os registros diretamente aos bancos, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, para posterior divulgação simultânea.


O ministro André Mendonça recusou o pedido. Segundo ele, os candidatos não precisam de autorização judicial para tornar públicos os próprios dados, cabendo a cada um providenciar sua divulgação.


A campanha de Lula recorreu da decisão, defendendo a participação do TSE como intermediário independente na obtenção e conferência dos documentos.

A decisão não impede a abertura voluntária dos sigilos, mas afasta o procedimento de requisição direta às instituições solicitado pelas campanhas.


Procurações entregues, dados ainda fechados

Segundo o UOL, a campanha de Lula levou ao TSE um malote com documentos físicos, enquanto a equipe de Flávio encaminhou suas autorizações durante a madrugada de sexta-feira.


Até a atualização divulgada pelo veículo, não havia previsão para a publicação efetiva dos registros bancários, fiscais e telefônicos.


A diferença é fundamental: entregar procurações que autorizam acesso a informações não significa divulgar extratos bancários, declarações de Imposto de Renda ou registros telefônicos.


Desde o lançamento do desafio, as condições apresentadas por Flávio foram ampliadas em diferentes momentos, mesmo após concessões da campanha adversária. O descumprimento do prazo e a nova cobrança sobre cartões corporativos prolongaram o impasse.


Às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25), o compromisso anunciado pelas duas campanhas ainda não produziu seu principal resultado: a divulgação dos documentos ao público.


A conferência dos documentos virou mais uma condição


A advogada Maria Cláudia Bucchianeri afirmou, na quinta-feira, que Flávio só disponibilizaria seus dados depois de verificar se Lula havia cumprido todas as exigências. A conferência ficaria a cargo de Deltan Dallagnol. A representante da campanha não estabeleceu prazo para concluir essa análise.


A controvérsia também envolve a Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e investigado pela Polícia Federal. A campanha petista exigiu sua inclusão no acordo. Segundo o UOL, a empresa apresentou petição ao TSE concordando com a abertura de seus dados.


A situação nesta sexta-feira (23): as duas campanhas formalizaram autorizações, mas os registros continuam sem divulgação pública e não há previsão definida para isso.


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