MPF investiga Meta e X por bloqueios eleitorais que atingem principalmente apoiadores de Lula
Mais de 1,1 mil relatos de restrições a perfis e publicações levaram à abertura de procedimento; plataformas terão cinco dias para explicar critérios de moderação durante a campanha

O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para investigar possíveis irregularidades na moderação de conteúdos políticos pela Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, e pelo X durante a campanha eleitoral de 2026. A apuração foi anunciada nesta quarta-feira (14), após denúncias de organizações da sociedade civil sobre bloqueios, suspensões de contas e restrições ao alcance de publicações.
A representação foi apresentada pelas organizações Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. Segundo levantamento desta última, foram registrados 1.121 relatos de restrições, atingindo principalmente perfis favoráveis à reeleição do presidente Lula (PT).
Entre os casos denunciados estão bloqueios de contas de jornalistas, comunicadores, entidades estudantis e movimentos sociais, além de limitações de funcionalidades e redução da circulação de conteúdos políticos.
O MPF determinou que as plataformas apresentem, em cinco dias, esclarecimentos sobre os critérios utilizados para restringir publicações e perfis, inclusive se as medidas decorreram de decisões judiciais ou de mecanismos próprios de moderação.
A documentação também foi encaminhada à Procuradoria-Geral Eleitoral, diante da possibilidade de que as restrições tenham afetado a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Outra denúncia apresentada pela CTRL+Z ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolve a inteligência artificial da Meta. A organização aponta possível tratamento desigual na geração de imagens relacionadas aos dois candidatos, com restrições diferentes para conteúdos envolvendo Lula e Flávio.
A investigação ainda não comprovou interferência deliberada das plataformas no processo eleitoral. Os números divulgados correspondem aos relatos reunidos pelas organizações denunciantes, cuja consistência e circunstâncias deverão ser examinadas pelo MPF.
A apuração poderá esclarecer se as restrições resultaram da aplicação regular das regras das plataformas, de falhas nos sistemas automatizados ou de critérios que produziram tratamento desigual entre os campos políticos em plena campanha presidencial.
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