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Rio tem 732 mil votos 'voando' no TSE que podem mudar configuração das bancadas de deputados

há 4 horas
3 min de leitura

Levantamento revela que o estado concentra 40% dos 1,8 milhão de votos sub judice e lidera nessa situação no Brasil; anulação dos votos de Garotinho já alterou resultado da eleição para governador


Plenário do TSE/Foto: reprodução
Plenário do TSE/Foto: reprodução


O Rio de Janeiro lidera o país em número de votos destinados a candidatos que disputaram as eleições de 2026 com registros indeferidos pela Justiça Eleitoral e recursos pendentes de julgamento. São 732 mil votos nessa situação, aproximadamente 40% dos 1,8 milhão registrados em todo o Brasil, segundo levantamento da Folha de S.Paulo publicado nesta quinta-feira (22).


Os dados foram coletados após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, e incluem candidaturas aos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. Os votos classificados como anulados sub judice podem voltar a ser considerados válidos caso os candidatos obtenham decisões favoráveis nos tribunais.


O Rio permaneceria na liderança nacional mesmo sem os 274 mil votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi definitivamente barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quatro dias depois da votação.


A decisão sobre Garotinho já produziu consequências na eleição estadual. Antes da anulação, Douglas Ruas (PL) havia recebido 49,27% dos votos válidos, resultado insuficiente para vencer no primeiro turno. Com a exclusão dos votos do ex-governador, o percentual subiu para 50,88%, e Ruas foi proclamado governador eleito.


O segundo colocado, Eduardo Paes (PSD), recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). O partido argumenta que os votos dados conscientemente a Garotinho não deveriam ser excluídos do cálculo que determina a necessidade de segundo turno.


O ministro Cristiano Zanin, relator do processo, solicitou informações ao TSE e manifestações da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República. Até o momento, não houve decisão do STF que alterasse o resultado proclamado.


Candidatos barrados podem alterar bancadas


A indefinição também alcança as eleições proporcionais. João Drumond (PRD), neto do contraventor Luizinho Drumond, recebeu aproximadamente 55 mil votos para deputado estadual. Seu registro foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que apontou indícios de participação de uma organização criminosa em sua candidatura.


Drumond nega as acusações e recorreu ao TSE. Caso obtenha decisão favorável, seus votos poderão alterar a distribuição de cadeiras na Assembleia Legislativa.


Situação semelhante envolve Ricardo Abrão (PSDB), que recebeu cerca de 63 mil votos para deputado federal. O TRE-RJ indeferiu seu registro por considerar que havia indícios de participação em um esquema de compra de votos nas eleições municipais de Nilópolis, em 2024. Abrão nega as irregularidades e também recorreu.


O levantamento aponta que a concentração de votos sub judice no Rio está relacionada, em parte, à atuação do TRE-RJ contra candidaturas com suspeitas de vínculos com organizações criminosas. A análise desses casos exigiu o compartilhamento de provas de investigações criminais, inclusive documentos sigilosos, prolongando os julgamentos.


Prazo curto para julgar candidaturas


No país, a maior quantidade de votos sub judice foi destinada a candidatos às assembleias legislativas, com 612 mil. Em seguida aparecem os concorrentes ao Senado, com 390 mil; à Câmara dos Deputados, com 381 mil; e aos governos estaduais, com 374 mil.


Especialistas em direito eleitoral apontam que o calendário contribui para a insegurança jurídica. Os partidos podem registrar candidaturas até 15 de agosto, deixando pouco tempo para que os tribunais analisem milhares de pedidos antes da votação.


Em 2026, foram apresentados mais de 20 mil pedidos de registro ao TSE.


A antecipação desse prazo é defendida por especialistas como forma de reduzir o número de candidaturas que chegam às urnas sem decisão definitiva. A mudança, entretanto, enfrenta resistência dos partidos, que teriam de concluir suas alianças e escolher candidatos mais cedo.


Enquanto os recursos permanecem pendentes, a Justiça Eleitoral ainda poderá modificar a composição das bancadas legislativas eleitas em outubro. No Rio, o julgamento sobre os votos de Garotinho também mantém aberta a disputa judicial sobre a realização do segundo turno para governador.


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