A economia verde que nasce da horta e do turismo de base comunitária
Atualizado: há 3 horas
Projeto Economia Verde e Azul, do Programa Manuel Querino, abre 600 vagas gratuitas em Niterói e São Gonçalo e aposta em hortas comunitárias, hidroponia e turismo de base local para gerar renda nos territórios

Quando se fala em economia verde, muita gente pensa em floresta distante ou tecnologia de ponta. Mas ela começa muito perto: numa horta comunitária em Monjolos, num roteiro de ecoturismo conduzido por quem conhece cada curva do território. É essa economia de base local que o Projeto Economia Verde e Azul, do Programa Manuel Querino, leva a Niterói e São Gonçalo.
A proposta é simples na forma e ambiciosa no conteúdo: 600 vagas gratuitas em quatro cursos presenciais — Piscicultura Sustentável, Ecoturismo, Horta Comunitária e Eco Empreendedorismo —, com 150 horas cada, aulas três vezes por semana em turnos de três horas, material didático, uniforme, auxílio-transporte e certificação reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para quem concluir com 75% de frequência.
O projeto é executado pelo Instituto GAPOPS em parceria com o MTE e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com recursos do Edital nº 02/2025-SEMP/MTE, e foi lançado no dia 09 — desde então, segue com vagas abertas para os quatro cursos.
No eixo verde, a formação dialoga com o que o território já sabe fazer. Em Monjolos, por exemplo, a horta comunitária aproveita terras férteis para cultivo e renda.
O curso de Horta Comunitária trabalha agroecologia na prática, preparo do solo, compostagem, plantio e colheita comunitária — saberes que se traduzem em alimento na mesa e em excedente para venda.
Já o curso de Ecoturismo valoriza o turismo de base comunitária e o patrimônio cultural: quem conduz o visitante é quem mora ali, conhece a história e tem interesse direto em preservar o ambiente. As aulas práticas ocorrem em Lagoinha, Jardim Catarina, Centro de São Gonçalo e Paraíso; em Niterói, no Centro da cidade.
Há ainda um componente que atravessa todos os cursos: as 40 horas de Temas Transversais, com comunicação, raciocínio lógico, saúde e segurança, direitos humanos e trabalhistas, relações interpessoais, orientação profissional, responsabilidade socioambiental e letramento digital. É o que permite ao aluno não apenas aprender um ofício, mas se posicionar no mundo do trabalho — formalizar um MEI, entender um contrato, cobrar um preço justo.
A economia verde não é um setor abstrato: é a horta que gera renda, o roteiro que movimenta o comércio local, a compostagem que reduz custo. O Projeto Economia Verde e Azul aposta que a transição ambiental só se sustenta se for também uma transição produtiva — com gente qualificada, certificada e morando no território.
Para Ernani Capilé, coordenador técnico do Instituto GAPOPS, o campo de crescimento é amplo:
"A economia verde tem um vasto campo de crescimento através de hortas comunitárias, hidroponia voltadas para o mercado local e hiper local de bairros e comunidades”, afirma.
Técnicas como a hidroponia — cultivo sem solo, com solução nutritiva — e a aquaponia — integração entre criação de peixes e cultivo de vegetais, em que a água dos tanques alimenta as plantas e retorna filtrada aos peixes — mostram como é possível produzir alimento em espaços reduzidos, com uso eficiente de água e insumos, e ainda gerar renda em circuitos locais de comercialização.
É esse tipo de aprendizado prático que o projeto leva para as turmas de Niterói e São Gonçalo.
O projeto segue com vagas abertas (mas limitadas) para os quatro cursos.
Para dúvidas sobre documentos, critérios de seleção e locais de aula, basta clicar no link do site.
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