José Dirceu ironiza discurso bolsonarista após colapso da 'Suíça da América do Sul'
Ex-ministro lembra que setores da direita apresentavam o país vizinho como “Suíça da América do Sul” e refúgio para brasileiros; crise bancária deixou milhões sem acesso ao dinheiro e derrubou o presidente paraguaio

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu usou as redes sociais nesta quinta-feira (5) para ironizar o discurso de setores bolsonaristas que apontavam o Paraguai como alternativa econômica para brasileiros insatisfeitos com o Brasil. A declaração foi feita após a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, em meio ao colapso do banco digital Ueno.
“Lembra quando bolsonarista dizia que, com o Lula, o Brasil ia quebrar e o negócio era fugir pro Paraguai, a ‘Suíça da América do Sul’? Essa semana quebrou o Ueno, banco ligado ao presidente Santiago Peña. Quase metade do país ficou sem acesso ao próprio dinheiro. Aposentado sem pensão, loja sem vender no cartão”, escreveu Dirceu na rede social X.
Em seguida, acrescentou:
“O povo foi pra rua, e com razão. 8 executivos do banco foram presos, o presidente do Banco Central caiu e todos os 80 deputados apoiavam o impeachment. Peña renunciou antes de ser derrubado”.
O Ueno Bank atende aproximadamente 3 milhões de pessoas, cerca de 60% da população adulta do Paraguai. O colapso foi provocado por problemas graves de solvência identificados pelo Banco Central paraguaio, que determinou a intervenção na instituição. A paralisação do aplicativo, dos cartões e das transferências impediu que clientes movimentassem suas economias.
A crise também atingiu o Instituto de Previdência Social (IPS), que mantinha cerca de 355 milhões de dólares no banco. Aposentados, trabalhadores e correntistas protestaram em Assunção cobrando a devolução dos recursos.
As investigações levaram à prisão de oito executivos e ao afastamento do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. A ligação de Peña com o grupo controlador do banco ampliou a pressão política. O presidente manteve participação societária na holding até 2025, o que gerou questionamentos sobre conflitos de interesse.
A renúncia de Peña ocorreu antes da conclusão da votação do impeachment na Câmara, que aprovou o prosseguimento do processo por 78 votos a zero. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência.
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