Alunos neurodivergentes aprendem horticultura em projeto de qualificação profissional em São Gonçalo
Parceria entre o Instituto GAPOPS e a Instituição Nossos Filhos leva o Programa Manuel Querino a jovens e adultos, com aulas práticas de plantio, compostagem e agricultura sustentável

Jovens e adultos neurodivergentes atendidos pela Instituição Nossos Filhos (IENF), na Parada 40, em São Gonçalo, começaram a participar de aulas de horticultura pelo Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A iniciativa, executada pelo Instituto GAPOPS em parceria com a instituição, promove o acesso à formação profissional por meio de atividades práticas adaptadas às necessidades dos participantes.
A aula inaugural ocorrida nesta terça (27/10) apresentou técnicas de plantio, preparo do solo, compostagem e cultivo em pequenos espaços. Os alunos aprenderam sobre o uso de vasos e jardineiras, o aproveitamento de resíduos orgânicos e a possibilidade de produzir alimentos mesmo em residências sem grandes áreas disponíveis.
O curso de Horta Comunitária tem carga horária de 150 horas, distribuídas entre formação básica e específica. Na IENF, a metodologia privilegia a participação direta dos alunos, com oficinas que transformam os conteúdos teóricos em experiências práticas.
“Aqui a gente vai adequar todo o processo de teoria para a prática, fazendo essa transposição didática para o neurodivergente aprender a horta comunitária, aprender a plantar, ter interesse por essa área da sustentabilidade”, explicou André Correia, coordenador-geral do projeto.
Segundo André, as atividades acontecem de segunda a sexta-feira e são destinadas aos alunos que já frequentam a instituição.
“Ele é interativo mesmo, e isso traz essa movimentação que o aluno precisa. Pode se envolver de fato, porque é ele que faz, ele que constrói”, acrescentou.
O diretor da Instituição Nossos Filhos (IENF), Luís Carlos, responsável em fazer a ponte com o Programa também participa da organização das atividades e do acompanhamento dos alunos. Há cerca de 16 anos na instituição, ele é responsável por tarefas administrativas, como inscrições, controle de frequência e apoio de informática, incluindo o suporte ao curso de Horta Comunitária.
O diretor acompanha a trajetória da IENF praticamente desde sua fundação. “Eu já vou para 17 anos. Quase o tempo da fundação da instituição”, contou.
Aprender fazendo
O professor Luís Carlos Monteiro, especialista em Educação Especial e Libras, é responsável pelas atividades da turma, que reúne aproximadamente 15 a 20 alunos matriculados.
“O curso que nós vamos ministrar aqui é para alunos atípicos e nós vamos trabalhar com eles técnicas de horta, tanto de folhosas quanto de herbáceas para eles fazerem chá”, explicou.
Durante a aula, o professor demonstrou como escolher recipientes adequados para o cultivo de diferentes espécies, levando em consideração o espaço necessário para o desenvolvimento das raízes.

“Ele não precisa pegar um balde desse tamanho para plantar uma alfacezinha pequenininha, nem um vaso desse tamanhinho para plantar um pé de couve”, exemplificou.
Outro conteúdo apresentado foi o cultivo em pequenos espaços, utilizando jardineiras e substratos que dispensam o plantio diretamente no solo. A técnica pode ser aplicada em varandas, quintais cimentados e outros ambientes urbanos.
“Nós vamos trabalhar com pequenas jardineiras e trabalhar sem solo, sem a parte mineral também”, explicou Monteiro, que desenvolve estudos sobre o tema em seu mestrado.
A formação também contempla compostagem, técnica que transforma resíduos vegetais em adubo orgânico, e o plantio de leguminosas utilizadas na adubação verde, contribuindo para melhorar a fertilidade do solo.
Famílias participam do aprendizado
A atividade também despertou o interesse de familiares que acompanham os alunos da instituição.
Leandra, mãe de Felipe, um dos participantes do curso, acompanhou a aula e demonstrou entusiasmo com a possibilidade de aprender as técnicas de cultivo.
“Tô gostando muito de observar a aula da horta. Muito! Vou até pedir para o professor se eu posso participar também para aprender”, contou.
Para ela, o conhecimento adquirido pode ser levado para casa e incorporado ao cotidiano da família.
“Conhecimento é uma coisa que ninguém tira da gente, né? E aprender é sempre muito bem-vindo. Ainda mais plantar coisas que a gente pode comer.”
Leandra destacou que o filho poderá reproduzir em casa o que aprender durante as oficinas.
“Temos quintal lá em casa, então ele aprendendo aqui, é só botar em prática lá.”
Outra mãe, Norma Sueli, que também auxilia nas atividades da IENF, aprovou a chegada do curso.
“Super bom! Muito bom, amei esse curso!”, declarou.
Norma também destacou as possibilidades de cultivo em espaços reduzidos e de comercialização da produção.
“Tem muita gente que tem lugar, tem espaço e dá para plantar e vender. Aí eu lá em casa não tenho espaço, mas vou plantar”, afirmou.
Qualificação, inclusão e geração de renda
Executado pelo Instituto GAPOPS, o curso de Horta Comunitária integra o Programa Manuel Querino, iniciativa federal de qualificação social e profissional.
A formação contempla 40 horas de conteúdos básicos e 110 horas de formação específica, das quais 55 horas são destinadas a atividades práticas. A matriz curricular inclui agroecologia, preparo do solo, adubação, técnicas de cultivo, manejo de pragas, colheita e comercialização de hortaliças.
O programa prevê certificação para os participantes que cumprirem os requisitos de conclusão, incluindo frequência mínima de 75% da carga horária.
Além da produção para consumo próprio, os conhecimentos adquiridos podem ser utilizados em hortas comunitárias e iniciativas de geração de renda, como a comercialização de verduras, temperos e outros produtos cultivados em espaços urbanos.
Na Instituição Nossos Filhos, a experiência associa qualificação profissional, educação ambiental e inclusão, respeitando diferentes formas de aprendizagem e oferecendo aos participantes a oportunidade de desenvolver conhecimentos técnicos por meio da prática.
Para mais informações sobre o Programa, acesse o site mteprofissionalizabrasil.com.br
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