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Alunos neurodivergentes aprendem horticultura em projeto de qualificação profissional em São Gonçalo

há 44 minutos
4 min de leitura

Parceria entre o Instituto GAPOPS e a Instituição Nossos Filhos leva o Programa Manuel Querino a jovens e adultos, com aulas práticas de plantio, compostagem e agricultura sustentável


Alunos na dinâmica da atividade/Foto: divulgação
Alunos na dinâmica da atividade/Foto: divulgação

Jovens e adultos neurodivergentes atendidos pela Instituição Nossos Filhos (IENF), na Parada 40, em São Gonçalo, começaram a participar de aulas de horticultura pelo Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


A iniciativa, executada pelo Instituto GAPOPS em parceria com a instituição, promove o acesso à formação profissional por meio de atividades práticas adaptadas às necessidades dos participantes.


A aula inaugural ocorrida nesta terça (27/10) apresentou técnicas de plantio, preparo do solo, compostagem e cultivo em pequenos espaços. Os alunos aprenderam sobre o uso de vasos e jardineiras, o aproveitamento de resíduos orgânicos e a possibilidade de produzir alimentos mesmo em residências sem grandes áreas disponíveis.


O curso de Horta Comunitária tem carga horária de 150 horas, distribuídas entre formação básica e específica. Na IENF, a metodologia privilegia a participação direta dos alunos, com oficinas que transformam os conteúdos teóricos em experiências práticas.


“Aqui a gente vai adequar todo o processo de teoria para a prática, fazendo essa transposição didática para o neurodivergente aprender a horta comunitária, aprender a plantar, ter interesse por essa área da sustentabilidade”, explicou André Correia, coordenador-geral do projeto.


Segundo André, as atividades acontecem de segunda a sexta-feira e são destinadas aos alunos que já frequentam a instituição.


“Ele é interativo mesmo, e isso traz essa movimentação que o aluno precisa. Pode se envolver de fato, porque é ele que faz, ele que constrói”, acrescentou.


O diretor da Instituição Nossos Filhos (IENF), Luís Carlos, responsável em fazer a ponte com o Programa também participa da organização das atividades e do acompanhamento dos alunos. Há cerca de 16 anos na instituição, ele é responsável por tarefas administrativas, como inscrições, controle de frequência e apoio de informática, incluindo o suporte ao curso de Horta Comunitária.


O diretor acompanha a trajetória da IENF praticamente desde sua fundação. “Eu já vou para 17 anos. Quase o tempo da fundação da instituição”, contou.


Aprender fazendo

O professor Luís Carlos Monteiro, especialista em Educação Especial e Libras, é responsável pelas atividades da turma, que reúne aproximadamente 15 a 20 alunos matriculados.


“O curso que nós vamos ministrar aqui é para alunos atípicos e nós vamos trabalhar com eles técnicas de horta, tanto de folhosas quanto de herbáceas para eles fazerem chá”, explicou.


Durante a aula, o professor demonstrou como escolher recipientes adequados para o cultivo de diferentes espécies, levando em consideração o espaço necessário para o desenvolvimento das raízes.


O professor Luís Carlos ao centro/Foto: divulgação
O professor Luís Carlos ao centro/Foto: divulgação

“Ele não precisa pegar um balde desse tamanho para plantar uma alfacezinha pequenininha, nem um vaso desse tamanhinho para plantar um pé de couve”, exemplificou.


Outro conteúdo apresentado foi o cultivo em pequenos espaços, utilizando jardineiras e substratos que dispensam o plantio diretamente no solo. A técnica pode ser aplicada em varandas, quintais cimentados e outros ambientes urbanos.


“Nós vamos trabalhar com pequenas jardineiras e trabalhar sem solo, sem a parte mineral também”, explicou Monteiro, que desenvolve estudos sobre o tema em seu mestrado.


A formação também contempla compostagem, técnica que transforma resíduos vegetais em adubo orgânico, e o plantio de leguminosas utilizadas na adubação verde, contribuindo para melhorar a fertilidade do solo.


Famílias participam do aprendizado

A atividade também despertou o interesse de familiares que acompanham os alunos da instituição.


Leandra, mãe de Felipe, um dos participantes do curso, acompanhou a aula e demonstrou entusiasmo com a possibilidade de aprender as técnicas de cultivo.


“Tô gostando muito de observar a aula da horta. Muito! Vou até pedir para o professor se eu posso participar também para aprender”, contou.


Para ela, o conhecimento adquirido pode ser levado para casa e incorporado ao cotidiano da família.


“Conhecimento é uma coisa que ninguém tira da gente, né? E aprender é sempre muito bem-vindo. Ainda mais plantar coisas que a gente pode comer.”


Leandra destacou que o filho poderá reproduzir em casa o que aprender durante as oficinas.

“Temos quintal lá em casa, então ele aprendendo aqui, é só botar em prática lá.”


Outra mãe, Norma Sueli, que também auxilia nas atividades da IENF, aprovou a chegada do curso.


“Super bom! Muito bom, amei esse curso!”, declarou.


Norma também destacou as possibilidades de cultivo em espaços reduzidos e de comercialização da produção.


“Tem muita gente que tem lugar, tem espaço e dá para plantar e vender. Aí eu lá em casa não tenho espaço, mas vou plantar”, afirmou.


Qualificação, inclusão e geração de renda


Executado pelo Instituto GAPOPS, o curso de Horta Comunitária integra o Programa Manuel Querino, iniciativa federal de qualificação social e profissional.


A formação contempla 40 horas de conteúdos básicos e 110 horas de formação específica, das quais 55 horas são destinadas a atividades práticas. A matriz curricular inclui agroecologia, preparo do solo, adubação, técnicas de cultivo, manejo de pragas, colheita e comercialização de hortaliças.


O programa prevê certificação para os participantes que cumprirem os requisitos de conclusão, incluindo frequência mínima de 75% da carga horária.


Além da produção para consumo próprio, os conhecimentos adquiridos podem ser utilizados em hortas comunitárias e iniciativas de geração de renda, como a comercialização de verduras, temperos e outros produtos cultivados em espaços urbanos.


Na Instituição Nossos Filhos, a experiência associa qualificação profissional, educação ambiental e inclusão, respeitando diferentes formas de aprendizagem e oferecendo aos participantes a oportunidade de desenvolver conhecimentos técnicos por meio da prática.


Para mais informações sobre o Programa, acesse o site mteprofissionalizabrasil.com.br


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