Márcio Panisset sai do ostracismo, abraça o bolsonarismo e leva invertida de presidente do PCdoB
Ex-deputado repercute suposta ameaça de intervenção militar americana e questiona resultado eleitoral; dirigente Raoni Roque reage com acusações sobre seu passado na Secretaria de Saúde
Por Rodrigo Melo

Márcio Panisset está de volta. Pelo menos nas redes sociais. Fora dos mandatos e distante do protagonismo político que já teve em São Gonçalo, o ex-deputado estadual reapareceu abraçado ao discurso conspiratório do bolsonarismo após a eleição presidencial.
Em vídeo publicado no Instagram, Panisset afirmou ter lido uma notícia segundo a qual Eric Trump, filho de Donald Trump, teria um dossiê capaz de justificar uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. A alegação não foi acompanhada de provas.
Também colocou em dúvida a contagem eleitoral, classificando como impossível a votação recebida por Lula, e pediu a abertura das urnas.
“Eu não falo isso com gosto, eu não falo isso com prazer, mas eu falo isso com nojo do sistema”, declarou, acusando-o de ser sustentado pela injustiça, pela roubalheira e pela fraude.
O discurso provocou a reação de Raoni Roque, presidente municipal do PCdoB, que publicou um vídeo confrontando o ex-deputado.
Raoni recuperou as investigações sobre suspeitas de desvios na Secretaria Municipal de Saúde durante a gestão Panisset e acusou o antigo secretário de participar de um esquema de cobrança por exames não realizados.
A acusação tem antecedentes em investigações do Ministério Público, mas a responsabilidade individual e o desfecho judicial dos processos não estão estabelecidos nesta reportagem.
A resposta ganhou seu momento mais contundente quando Raoni ironizou o apelo de Panisset à população:
“Nós tamos pagando a tua conta até hoje, cara!”
O dirigente também acusou o ex-deputado de ter roubado o município e disparou:
“Se você for candidato a síndico, tu perde, cara!”
Na legenda da publicação, Raoni ampliou o ataque político ao bolsonarismo:
“O Bolsonarismo reuniu o que tem de pior na sociedade, colocaram nova embalagem e querem nos empurrar como se fosse coisa nova. O FASCISMO É CRUEL E SEM LIMITES!”
A troca tem um componente particularmente inusitado. Panisset, agora indignado com a corrupção do sistema, foi um dos homens fortes da administração de sua irmã, Aparecida Panisset, entre 2005 e 2012.
Secretário municipal de Saúde e deputado estadual por dois mandatos, perdeu força política após o fim daquela administração e as derrotas eleitorais seguintes.
Em 2018, durante a Operação Apagão, o Ministério Público apreendeu em sua residência mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, além de relógios de luxo. Uma arma de uso restrito com numeração raspada motivou sua prisão em flagrante. A operação investigava suspeitas de irregularidades em contratos de iluminação pública.
As acusações de Raoni e as investigações envolvendo Panisset não devem ser confundidas com condenações definitivas.
Agora, Panisset critica o sistema que tanto amou. Quando estava dentro, não parecia ter tantas objeções.
No fim, não foi Panisset quem abandonou o sistema. Foi o sistema que o deixou para trás. Pela porta dos fundos.
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