Campanha de Lula pede cassação da chapa de Flávio por manipulação algorítmica da Meta
Ação no TSE apontará abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação após revelações sobre bloqueios de conteúdos de Lula e recomendações favoráveis ao adversário

A campanha de Lula decidiu pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) por suposta manipulação algorítmica das plataformas da Meta durante a disputa presidencial. A decisão foi revelada nesta segunda-feira (19) pela Folha de S.Paulo, após a divulgação de documentos internos da empresa que apontam problemas na distribuição de conteúdos políticos.
Os advogados do presidente preparam uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A iniciativa leva à Justiça Eleitoral denúncias que já vinham sendo examinadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo próprio TSE.
Entre os elementos reunidos pela campanha estão mensagens internas de funcionários da Meta reconhecendo falhas que prejudicaram a circulação de conteúdos e anúncios de Lula no Instagram. Os registros também mencionam recomendações indevidas de perfis ligados a Flávio Bolsonaro.
Outro episódio envolve o WhatsApp. Usuários que procuravam o canal “Exército de Lula” encontravam, entre as recomendações, o canal “Tropa do Flávio”. A campanha considera que o conjunto dessas ocorrências produziu um desequilíbrio na exposição dos candidatos.
A ação também deverá questionar o alcance de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado de Flávio, e a divulgação de publicidade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) contrária a Lula.
Pressão sobre a Meta
A decisão de pedir a cassação ocorre em meio ao avanço das medidas judiciais contra a empresa, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp.
O TSE deu à Meta 24 horas para apresentar esclarecimentos sobre o tratamento dispensado às duas campanhas, incluindo o funcionamento de ferramentas automatizadas. O tribunal também elevou para R$ 1 milhão por dia a multa prevista para o descumprimento de suas determinações.
Paralelamente, o MPF investiga denúncias de suspensões de contas, remoções de publicações e restrições de alcance, principalmente de perfis associados a apoiadores de Lula.
Nesta segunda-feira, organizações da sociedade civil também convocaram um protesto diante da sede brasileira da Meta, em São Paulo, para cobrar transparência sobre os mecanismos de moderação e recomendação de conteúdos.
A Meta atribui os episódios a falhas técnicas e nega interferência eleitoral.
Com a iniciativa da campanha de Lula, as denúncias sobre o funcionamento das plataformas passam a integrar uma disputa judicial que poderá atingir diretamente o registro e os mandatos da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. A ação será baseada na alegação de que o funcionamento dos algoritmos favoreceu uma candidatura e prejudicou a outra durante a campanha.
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