Poubel e João Pires sobem ao 'ringue' para um novo 'round' de acusações nas redes
Deputados eleitos trocam ataques nas redes sociais em meio aos desdobramentos da operação que prendeu Márcio Canella; Poubel cobra explicações sobre vazamentos no Procon, e Pires reacende denúncias sobre o Detro

A prisão do deputado eleito Márcio Canella (União Brasil) reacendeu a rivalidade entre dois gonçalenses e antigos adversários da política fluminense. O deputado federal eleito Filippe Poubel (PL) e o deputado estadual eleito João Pires (PSD) usaram as redes sociais durante o fim de semana para trocar acusações e levantar suspeitas sobre a atuação um do outro em órgãos públicos do Rio de Janeiro.
Poubel procurou associar Pires a personagens citados na investigação da Polícia Federal sobre o suposto vazamento de informações sigilosas de fiscalizações em postos de combustíveis. Segundo o deputado, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) descreve um núcleo responsável por repassar datas, horários e equipes envolvidas nas operações.
Poubel destacou que dois nomes mencionados na investigação — Edivaldo Ferreira Borges, o “Biscoito”, e Luiz Ricardo Estevam Lima, o “Tietcheko” — integraram a Secretaria de Proteção e Defesa do Consumidor, comandada por João Pires. O deputado afirmou ainda que Biscoito seria doador da campanha de Pires e um de seus principais articuladores políticos.
“Agora, João Pires, explique. Qual era a relação de confiança entre vocês? Você sabia desses vazamentos?”, questionou.
Diferente do que afirma Poubel, os servidores citados eram de esferas de governo diferentes. Segundo inquérito da Polícia Federal, Luiz Ricardo Estevam Lima, o “Tietcheko”, era lotado numa entidade vinculada à secretaria estadual de Defesa ao Consumidor, enquanto Edivaldo Ferreira Borges, o “Biscoito” atuava no Procon do município do Rio de Janeiro, este sim subordinado a Pires.
Na réplica, Pires deslocou o confronto para a chamada “máfia dos reboques”. Em vídeo, recuperou imagens de parlamentares que se apresentavam como combatentes do esquema e ironizou:
“Os vídeos sumiram, os reboques, não”.
O deputado do PSD questionou mudanças na direção do Detro e citou a nomeação de Mariana Mendes Nogueira para a vice-presidência do órgão, identificando-a como irmã de uma assessora de um parlamentar.
Também criticou um contrato de 22 milhões de reais para aluguel de nova sede administrativa e o pagamento de 25 milhões de reais a uma empresa de reboques, sem auditoria ou estudo técnico.
“Nem tudo que reluz é ouro. Pode ser inteligência artificial ou então a tradicional falcatrua”, declarou.
A troca de ataques reacendeu uma rivalidade que ultrapassa as divergências partidárias e envolve acusações de favorecimento político e suspeitas sobre o uso da estrutura administrativa do Estado.
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