top of page

De tiros a atropelamento: bolsonaristas usam violência contra apoiadores de Lula

há 4 horas
5 min de leitura

Levantamento do Jornal Daki reúne episódios registrados no Rio, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e outros estados. Pesquisa nacional contabilizou 134 casos de violência política somente no primeiro turno


Por Helcio Albano


Janela do apartamento de Wescrey Portes comarcas tiros na Tijuca/Foto: O Globo
Janela do apartamento de Wescrey Portes comarcas tiros na Tijuca/Foto: O Globo


Tiros contra a janela de um apartamento na Tijuca, no Rio, depois que um morador exibiu uma bandeira do PT. Um motorista avançando com o carro contra participantes de uma manifestação em Belo Horizonte. Um policial militar armado diante de estudantes que participavam de um ato pró-Lula em Sergipe. Um casal perseguido por bolsonaristas na Avenida Paulista.


Os episódios ocorreram em diferentes estados durante a campanha eleitoral de 2026 e expõem um cenário de agressões, ameaças e intimidação política que também atingiu candidatos, militantes e estudantes.


Em alguns casos, os envolvidos foram identificados e houve intervenção policial. Em outros, como o ataque denunciado na Tijuca, a autoria ainda está sob investigação. Nem todas as ocorrências tiveram motivação partidária comprovada.


Tiros contra apartamento na Tijuca


Na sexta-feira (16), o pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Wescrey Portes denunciou que três disparos atingiram a janela de seu apartamento, na Tijuca, Zona Norte do Rio.


Pouco antes, ele havia exibido uma bandeira do PT na varanda e manifestado apoio à candidatura de Lula. Segundo seu relato, os disparos ocorreram depois que ele retornou à sala.


Wescrey afirmou ter ouvido manifestações favoráveis a Jair Bolsonaro nas proximidades, mas não identificou quem atirou.


O caso foi encaminhado à 19ª DP (Tijuca). A Polícia Civil investiga as circunstâncias do ataque. O pesquisador decidiu deixar temporariamente o imóvel.


Carro avança contra manifestação em Belo Horizonte


No sábado (17), um motorista de 45 anos avançou com um Volkswagen Up contra participantes do ato Mulheres com Lula, realizado no Centro de Belo Horizonte.


Um homem de 67 anos foi atropelado. O motorista acabou preso em flagrante por tentativa de homicídio.


Segundo informações divulgadas sobre a ocorrência, o condutor alegou ter acelerado porque manifestantes teriam arremessado objetos contra o veículo, no qual estavam familiares.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do atropelamento e a eventual motivação política da conduta.


Casal perseguido na Avenida Paulista


No domingo (18), durante a dispersão de uma manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, em São Paulo, a designer gráfica Vitória Viana, de 20 anos, e o vendedor Matheus Fernando, de 29, foram hostilizados e perseguidos por participantes do ato.


O casal usava adesivos de Lula quando começou a receber provocações nas proximidades da estação Brigadeiro do Metrô.


A ocorrência foi presenciada e registrada por uma equipe do JOTA. Segundo o veículo, manifestantes também tentaram impedir as filmagens e derrubaram duas vezes o celular utilizado pelos jornalistas.


Bolsonarista agride mulher no metrô e já era alvo de medida protetiva


Ainda no domingo (18), o empresário Diogo Freire Estevão, que participou do ato de apoio a Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, foi filmado desferindo dois socos contra uma mulher nas proximidades da estação Butantã do metrô, em São Paulo.


Segundo o boletim de ocorrência, a vítima aguardava um carro por aplicativo quando passou a ser hostilizada por usar uma camiseta vermelha. O caso foi registrado na 14ª DP, em Pinheiros. Diogo admitiu os golpes, mas alegou legítima defesa e afirmou que não havia percebido que agredia uma mulher.


O empresário já era alvo de uma medida protetiva concedida pela Justiça paulista em 12 de outubro, seis dias antes da agressão. A decisão foi tomada em favor de outra mulher, que o denunciou por ameaças de morte após um desentendimento em Vargem Grande Paulista.


A medida protetiva não está relacionada à agressão no metrô, mas a um processo anterior, conforme revelou o Metrópoles.



Policial armado em manifestação estudantil em Sergipe


Em 8 de outubro, o sargento da Polícia Militar Manoel Messias dos Santos, que estava de folga, foi identificado após sacar uma arma diante de estudantes que participavam de uma manifestação pró-Lula em São Cristóvão, na Grande Aracaju.


Testemunhas relataram que o policial efetuou disparos para o alto.


A Secretaria de Segurança Pública de Sergipe determinou o recolhimento da arma, anunciou o afastamento do sargento das atividades de rua e encaminhou o episódio à Corregedoria.

A perícia foi acionada para verificar se houve disparos. A conclusão dessa apuração não estava confirmada nas informações disponíveis.


Deputado do PL exibiu arma diante de militantes do PSOL


Em 28 de setembro, o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) se envolveu em uma discussão com militantes da campanha de Flávio Serafini (PSOL), na Tijuca.


Durante o confronto, Knoploch utilizou spray de pimenta e exibiu uma arma de fogo. A ocorrência foi registrada em vídeo.


O parlamentar afirmou que reagiu a provocações. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio autorizou a investigação e determinou medidas cautelares relacionadas ao porte de armas e ao contato com os envolvidos.


Ameaças e ataques também atingiram estudantes e candidatos


Outros episódios foram registrados durante setembro e outubro.


Na Paraíba, uma atividade de apoio a Lula, realizada em Prata, em 12 de setembro, terminou com disparos envolvendo policiais militares. A corporação alegou resistência à abordagem e confirmou um disparo de advertência.


No mesmo dia, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, Fernanda Klitzke, candidata à suplência do Senado pelo PT, denunciou agressões durante uma abordagem policial, incluindo chutes, imobilização e disparos de munição de borracha.


Em 23 de setembro, um comitê ligado à vereadora Iza Lourença (PSOL), em Belo Horizonte, foi alvo de um ataque com artefato explosivo. Também houve denúncias de agressão a funcionários e furto de material.


Quatro dias depois, em Itajaí, Santa Catarina, a residência da mãe do candidato petista Décio Lima, então com 88 anos, foi atacada com pedras. Havia material de campanha eleitoral no imóvel.


Em outubro, ameaças contra mobilizações estudantis pró-Lula chegaram a universidades de diferentes estados. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, mensagens ameaçadoras divulgadas em grupos bolsonaristas foram investigadas pela Polícia Federal, que indiciou dois suspeitos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.


As ocorrências têm diferentes situações investigativas. Nos casos envolvendo policiais, a participação dos agentes não comprova, por si só, vinculação partidária.


Brasil registrou 134 casos de violência política no primeiro turno


O conjunto de episódios ocorre em um cenário de crescimento da violência política no país.

Pesquisa das organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 casos entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, período oficial da campanha do primeiro turno. Em 2022, no intervalo equivalente, haviam sido registrados 121 episódios.


O levantamento identificou 64 ameaças, 33 ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados, cinco episódios classificados como criminalização e dois assassinatos.


As mulheres foram vítimas em 70 ocorrências, o equivalente a 52,2% do total. Em 102 casos, os alvos eram candidatos registrados.


A pesquisa considera a violência política praticada contra diferentes correntes partidárias. Portanto, os 134 registros não representam exclusivamente ataques de bolsonaristas contra apoiadores de Lula.


Os dados também não incluem os episódios ocorridos após o primeiro turno, como os casos recentes de Sergipe, Belo Horizonte, Tijuca e Avenida Paulista. O levantamento consolidado, com informações do segundo turno, deverá ser divulgado em novembro.


Intimidação alcança quem manifesta preferência política


Os registros reunidos mostram que as ocorrências não se limitam aos candidatos ou aos comitês partidários. Entre os atingidos estão pessoas que exibiram bandeiras em suas residências, participaram de manifestações, distribuíram material eleitoral ou simplesmente usavam adesivos de campanha.


A violência também alcançou profissionais da imprensa que acompanhavam os atos e estudantes mobilizados em universidades.


A identificação dos responsáveis e a eventual responsabilização criminal dependem das investigações e decisões judiciais em cada caso.


O histórico documenta, entretanto, episódios em que manifestações de preferência política foram acompanhadas de ameaças, agressões e uso ou exibição de armas, às vésperas do segundo turno presidencial.


Nos siga no Instagram AQUI e BlueSky AQUI.

Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.

Comentários


POLÍTICA

KOTIDIANO

CULTURA

TENDÊNCIAS
& DEBATES

telegram cor.png
bottom of page