Mensagens de Vorcaro levantam suspeitas sobre Kassio Nunes Marques em festa privada
Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro citam um ministro em evento com cinco mulheres e cobrança de 10 mil reais; PF avalia que referência pode ser ao presidente do TSE, que nega qualquer favorecimento

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, levantam suspeitas sobre a participação do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma festa privada realizada em São Paulo. As conversas foram reveladas nesta terça-feira (13) pela jornalista Daniela Lima, do UOL.
O encontro ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, no triplex de Vorcaro, no Itaim Bibi. Às 20h56, um funcionário identificado como Michael informou ao banqueiro que havia cedido um quarto a um ministro acompanhado de cinco mulheres. Mais tarde, relatou que o convidado pretendia prolongar a festa. Vorcaro acompanhava a movimentação à distância, recebendo mensagens dos funcionários. Em uma conversa com um amigo, afirmou que estava agradando a um ministro em São Paulo. O evento contou com chef particular, bebidas e mulheres contratadas. Um relatório registra despesas de 62,3 mil reais.
A referência mais direta a Kassio aparece em uma conversa posterior. Em 7 de março, uma mulher identificada como Rayanna procurou Vorcaro para cobrar o pagamento de uma acompanhante que, segundo ela, havia ficado com alguém chamado Kassio. Rayanna informou que o valor era de 10 mil reais. Vorcaro pediu os dados necessários para o pagamento. Os registros divulgados não demonstram que a quantia tenha sido efetivamente transferida.
Investigadores da PF e do STF avaliam que as referências podem dizer respeito a Nunes Marques. Entretanto, as mensagens não identificam expressamente o magistrado como participante da festa, nem comprovam que ele tenha recebido o benefício descrito.
Procurado pelo UOL, o ministro negou qualquer favorecimento a Vorcaro. Afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro, jamais lhe pediu benefícios e não autorizou terceiros a agir em seu nome. Também declarou que votou pela manutenção da prisão do ex-controlador do Master.
A revelação não é a primeira a relacionar o nome de Nunes Marques a benefícios supostamente oferecidos por Vorcaro. Em setembro, mensagens divulgadas pela imprensa mostraram que um agente de viagens consultou o banqueiro sobre quem pagaria uma viagem internacional solicitada por um contato atribuído ao ministro. Outras conversas mencionaram pagamentos relacionados a Kevin Marques, filho do magistrado. Também vieram a público negociações de um contrato advocatício de 427 milhões de reais envolvendo pessoas identificadas nas mensagens como integrantes da chamada “Turma do KN”. O ministro nega ter participado dessas tratativas ou favorecido o Banco Master em decisões judiciais.
Na segunda-feira (12), os deputados Rui Falcão e Rogério Correia, ambos do PT, pediram ao STF uma investigação sobre as relações de Nunes Marques com pessoas e empresas ligadas ao Banco Master. O pedido não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas.
A questão central é saber se o banqueiro ofereceu vantagens privadas a autoridades públicas e se buscou, em troca, influência sobre decisões judiciais. A identificação do ministro mencionado nas mensagens, a confirmação de eventuais pagamentos e a existência de contrapartidas ainda dependem de apuração.
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