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'Dark Horse': Flávio Bolsonaro é pego novamente na mentira

1 de set.
2 min de leitura

Relatório mostra transferência de US$ 1,66 milhão em setembro de 2025, quatro meses após senador afirmar que pagamentos haviam cessado. Montante total pode ter chegado a US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões


Mario Frias, Flávio Bolsonaro, Jim Caviezel e Carlos Bolsonaro. Foto: Reprodução
Mario Frias, Flávio Bolsonaro, Jim Caviezel e Carlos Bolsonaro. Foto: Reprodução


Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que Daniel Vorcaro enviou US$ 1,66 milhão ao fundo americano que administrava recursos do filme "Dark Horse" em 16 de setembro de 2025 – quatro meses depois da data que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ser o último pagamento do banqueiro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro.


Em entrevista à GloboNews, Flávio declarou que a última transferência ocorrera em maio de 2025. O documento obtido pela revista piauí registra uma remessa de US$ 1.666.667 ao Havengate Development Fund em setembro daquele ano. A transferência ocorreu oito dias após Flávio cobrar de Vorcaro parcelas atrasadas para o longa.


Com o pagamento identificado pelo Coaf, o montante enviado pelo banqueiro ao projeto passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor superior a R$ 65 milhões pela cotação da época. Mensagens de WhatsApp de 22 de outubro de 2025 entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda indicam a possibilidade de outra parcela. Caso a remessa mencionada na conversa tenha sido efetivada, os desembolsos chegariam a US$ 14 milhões (cerca de R$ 72 milhões).


A polícia investiga a rota dos recursos, que não saíam diretamente das empresas de Vorcaro nem chegavam à produtora do filme nos Estados Unidos. As remessas passavam pelo doleiro Antonio Freixo Junior e seguiam para o Havengate, fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo de Eduardo Bolsonaro. Os investigadores buscam esclarecer se todos os valores que chegaram ao Havengate foram destinados à produção e qual era a participação de Eduardo na gestão dos recursos.


A PF investiga suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionadas aos negócios envolvendo Flávio e o filme. O objetivo é esclarecer se houve vantagem indevida na relação entre um agente público e um agente privado.


A forma como o financiamento foi estruturado e a declaração de Valdemar Costa Neto, segundo a qual Flávio teria ido à casa de Vorcaro para buscar "o restante do dinheiro", também estão no radar da PF.


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