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Mundo reverencia Lula e dá novo significado ao 'Faz o L'

há 50 minutos
2 min de leitura

Vitória do presidente brasileiro transforma gesto criado em 1989 em símbolo internacional de liberdade, resistência à extrema direita e solidariedade aos povos oprimidos


A presidenta do México, Claudia Sheinbaum
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum


O “Faz o L” ganhou o mundo. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, no último domingo (25), provocou uma onda de manifestações entre lideranças progressistas internacionais. Mas a repercussão ultrapassou as homenagens ao presidente brasileiro. O gesto que identifica Lula há quase quatro décadas começa a adquirir novos significados, associados às lutas por liberdade, democracia e justiça social.


Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau protagonizou uma das manifestações mais emblemáticas. Durante um ato da Frente Ampla, em Madri, convocou os participantes a erguerem as mãos formando a letra L. O gesto foi dedicado a Lula, à esperança e à defesa de uma Palestina livre.


A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também fez o L para comemorar a reeleição brasileira. O sinal, originalmente associado a um candidato, passou a circular entre movimentos políticos que enfrentam o avanço da extrema direita em diferentes países.


A dimensão internacional reacendeu uma interpretação defendida há anos pelo jornalista e publicitário Mário Milani, criador do gesto durante a primeira campanha presidencial de Lula, em 1989.


Para Milani, o L nunca precisou ficar restrito ao nome do presidente. Pode representar Luta, Livre e Liberdade. Em outras línguas, ganha correspondências como Libertad, em espanhol, Liberté, em francês, e Liberty, em inglês. Também comporta Love, amor em inglês, ampliando sua dimensão afetiva e humanitária.



Essa leitura antecede a eleição de 2026. Milani já havia defendido esses significados em seu livro A Voz do Gesto, no qual recupera a história de uma marca política que atravessou gerações.


O que mudou agora foi o contexto. A vitória de Lula, depois de uma disputa acirrada contra o bolsonarismo, ofereceu à esquerda internacional um resultado concreto em meio ao crescimento de movimentos autoritários.


Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez apontou o resultado brasileiro como inspiração para enfrentar a direita em seu país. Na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon também passaram a reproduzir o sinal.


A solidariedade internacional alcançou ainda a causa palestina. A Frente Popular para a Libertação da Palestina saudou a vitória de Lula como um triunfo dos defensores da liberdade e dos direitos sociais, embora sua manifestação não represente, por si só, uma adoção do gesto.


O L de Lula, portanto, começa a circular como uma linguagem compartilhada entre diferentes causas. Não existe ainda um movimento mundial organizado em torno desse símbolo, mas sua presença em manifestações internacionais mostra que ele já ultrapassou a função original de identificação eleitoral.


Criado para uma campanha brasileira de poucos recursos, o gesto atravessou 37 anos, quatro vitórias presidenciais e sucessivas disputas políticas.


Agora, quando alguém faz o L em Madri, na Cidade do México ou em Paris, pode estar saudando Lula. Mas também pode estar falando de liberdade, de resistência e do direito dos povos de decidir seu próprio destino.


O L continua sendo de Lula. Só que já não é apenas dele.


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