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Jogo combinado: enquanto Willer comprava imóveis em Angra, Flávio tocava projeto pra privatizar praias

há 37 minutos
2 min de leitura

Levantamento identifica propriedades ligadas ao advogado Willer Tomaz, projetos de desenvolvimento turístico e disputa por regularização fundiária; coincidência de datas não comprova favorecimento


A dupla dinâmica/Foto: reprodução
A dupla dinâmica/Foto: reprodução


O advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possui imóveis e participações imobiliárias em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. Levantamento divulgado em 31 de outubro identificou cinco propriedades além daquela disputada judicialmente com o jogador Richarlison. Parte das aquisições ocorreu entre 2021 e 2022, período em que o parlamentar apresentou propostas para o desenvolvimento turístico da região e assumiu a relatoria da chamada PEC das Praias.


Três imóveis na Ilha Comprida foram adquiridos em setembro de 2021 pela WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada ao advogado. Os valores patrimoniais registrados variam de R$ 2,1 milhões a R$ 6 milhões. Tomaz também possui uma propriedade na Ilha do José André, adquirida em 2008, e participação de 25% em uma casa na Ilha do Jorge.


Em 13 de outubro de 2021, Flávio apresentou o Projeto de Lei Complementar 157/2021, destinado a criar uma região administrativa integrada de desenvolvimento sustentável abrangendo Angra, Paraty e Mangaratiba. A proposta prevê ações de infraestrutura, turismo e gestão territorial. Continua em tramitação, mas recebeu parecer pela rejeição da senadora Eliziane Gama, em abril de 2025.


O senador também relatou a PEC 3/2022, que modifica as regras constitucionais sobre terrenos de marinha. Seu parecer foi favorável à transferência de determinadas áreas mediante condições previstas no texto. A proposta provocou críticas relacionadas à proteção ambiental e ao patrimônio público. Flávio sustenta que a medida oferece segurança jurídica aos ocupantes e preserva o acesso público às praias.


A disputa com Richarlison acrescenta outra dimensão ao caso. Segundo a investigação jornalística, o pedido de regularização apresentado à Secretaria do Patrimônio da União pela empresa ligada ao jogador não avançou, enquanto um procedimento relacionado à propriedade posteriormente adquirida por Tomaz teve andamento.


O advogado afirma possuir escritura, registro imobiliário e decisões judiciais favoráveis. Richarlison contesta a aquisição e acusa o senador de participação na disputa. Flávio e Tomaz confirmam a amizade, mas negam negócios conjuntos.


Em março de 2026, Tomaz também apresentou ao Instituto Estadual do Ambiente um projeto de empreendimento turístico na Ilha do José André, em meio a alterações nas regras ambientais estaduais posteriormente revertidas. O então governador Cláudio Castro negou ter tratado previamente da medida com o advogado.


A proximidade temporal entre investimentos imobiliários, iniciativas legislativas e decisões administrativas justifica a investigação. Entretanto, os documentos e reportagens consultados não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha legislado para beneficiar Tomaz, nem comprovam interferência indevida na SPU.


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