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Rio registra 354 denúncias de assédio eleitoral; em São Gonçalo, vereador sugeriu saída de petistas da prefeitura

há 5 minutos
2 min de leitura

Ministério do Trabalho recebeu mais de 4,3 mil denúncias em três dias. Caso envolvendo Lecinho Breda, revelado pelo Jornal Daki, expõe a pressão política sobre trabalhadores após as eleições


Lecinho/Foto: reprodução
Lecinho/Foto: reprodução


O Rio de Janeiro registrou 354 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em apenas três dias, segundo balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) neste sábado (31). O estado ocupa a segunda posição no país, atrás de São Paulo, com 1.325 registros.


Entre 28 e 30 de outubro, o Ministério recebeu 4.305 denúncias em todo o Brasil. O Sudeste concentrou 2.087 registros, equivalentes a 48,5% do total. As ocorrências relatadas incluem ameaças de demissão, constrangimentos e discriminação de trabalhadores por suas posições políticas. Os números foram divulgados após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, em 25 de outubro.


Em São Gonçalo, vereador sugeriu saída de petistas

A onda de pressão política também teve repercussão em São Gonçalo. Conforme revelou o Jornal Daki, uma mensagem do vereador Lecinho Breda (Republicanos), divulgada em um grupo de WhatsApp, sugeria que funcionários da Prefeitura que apoiaram Lula deixassem seus empregos. Na mensagem, cuja autoria foi confirmada pelo Daki, o parlamentar afirmava que seria uma traição trabalhar em um governo de direita e apoiar a esquerda.


“Você que trabalha no Governo se eu fosse Vocês, pedia para Sair”, escreveu. Em outro trecho, sugeriu que os funcionários procurassem emprego em Maricá ou Niterói, municípios administrados por partidos de esquerda. A manifestação fazia referência à administração do prefeito Capitão Nelson (PL).


Não há comprovação de que servidores tenham sido demitidos em consequência da mensagem, tampouco informação pública de que o episódio tenha resultado em procedimento formal por assédio eleitoral. O caso, entretanto, ilustra o ambiente de pressão política que levou autoridades trabalhistas a reforçar os mecanismos de fiscalização após as eleições.


Denúncias no Rio já superam eleições anteriores

Em levantamento próprio, o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) contabilizou 195 denúncias até 27 de outubro, superando os registros de todo o ano de 2022, quando foram recebidas 177, e de 2024, com 47. A capital concentrava 110 denúncias.


O MTE informou que a Auditoria Fiscal do Trabalho já analisa os relatos e realiza fiscalizações. Denúncias recebidas não equivalem a casos comprovados. A responsabilização depende da apuração das circunstâncias e das provas.


A legislação brasileira proíbe a discriminação de trabalhadores por suas convicções políticas.


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