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Se liga na vida! Por Paulinho Freitas

23 de dez. de 2020
2 min de leitura

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Foto: SERGIO MORAES / REUTERS
Foto: SERGIO MORAES / REUTERS

Todo mundo sabe que o uso da máscara é obrigatório. Saio às ruas e vejo um monte de gente sem elas. Gente! Qual o problema de vocês? O vírus nos infecta pelas vias respiratórias, a máscara é essencial para que não nos contaminemos e nem contaminemos ninguém. Abri uma rede social e um amigo virtual está bufando de raiva e desabafando:


_ Esse povo é muito burro! Esse povo está cego! Eles precisam acordar! Este país nunca vai ser vermelho! Vamos dar um basta nas atitudes destes petralhas! Os chineses inventaram o vírus e agora querem nos vender a vacina! Esse vírus nada mais é do que uma gripe forte, toma cloroquina e ivermectina que num instante fica bom! Não faço quarentena, não uso máscara e se algum policial vir me obrigar a isso vai dar merda hein! Vou logo avisando!


Irmão, na minha modesta opinião e, segundo você, pouca informação, acho que o partido por ti citado não governa o país há algum tempo. A nação mais poderosa do mundo amontoa mortos nos hospitais sem encontrar uma solução. Acho também que a OMS e mais milhares de médicos e cientistas não iriam perder o precioso tempo deles defendendo uma prática que salva vidas por um preço irrisório que é ficar em casa, se puder, ou usar a bendita máscara que você pode fazer em casa ou comprar por módicos três reais em qualquer esquina se você precisar sair de casa.


Eles poderiam estar ganhando rios de dinheiro receitando vitamina “C” e um analgésico qualquer para que ficássemos bons. Pelo amor de Deus! Se você não usa a máscara, no mínimo você não tem respeito a seu familiar, a seu amigo, a seu semelhante, a vida humana enfim. Pra pegar pesado você é um psicopata, um suicida, um assassino, um serial killer que mata com requintes de crueldade. Se não vejamos:


Você sai de casa e conversa com muitas pessoas, a caixa de um supermercado, o trocador do ônibus, o balconista da farmácia, o atendente do açougue, dá um abraço naquele amigo que você não via há muito tempo, visita sua idosa mãe, bebe aquela cerveja no bar da esquina jogando conversa fora com os parceiros e nos finais de semana frequenta aquela roda de samba da melhor qualidade ou curte aquele baile de comunidade que não deixa ninguém ficar parado, ou aquela reunião cultural em que a viola rola solto e os saraus de poesia rompem a madrugada. Você está bem, vendendo saúde.


Mas aquele amigo que você encontrou, quinze dias depois está entubado numa CTI, alguns, daquela roda de samba também, sua amada mãe está com falta de ar e com um cansaço jamais visto por toda sua vida, ou você próprio não está nada bem.


É um círculo vicioso: ou você está ruim ou seu semelhante está ruim ou todo mundo está ruim. Ou você matou ou você morreu, ou você matou e morreu (É proposital, é para você lembrar mesmo).


Desculpe-me o desabafo irmão, mas você está passando do limite da ignorância. Só me responde uma coisa: Você não tem um pingo de consideração por ninguém? Se você não usa a máscara, está lendo este texto e não morreu, quantos você infectou hoje? Presta atenção irmão!

Paulinho Freitas é compositor e sambista.




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